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Sangramento na gengiva: quando procurar ajuda

Gengiva que sangra ao escovar não é normal. Entenda as causas mais comuns, o que fazer em casa e quais sinais indicam que é hora de uma avaliação.

Dr. Rafael Teixeira
Especialista em Endodontia e Periodontia, CRO-MG 00002
Bandeja branca com instrumentos junto à janela, em luz natural

Ver um pouco de sangue na pia ao escovar os dentes é tão comum que muita gente acha normal. Não é. Gengiva saudável não sangra com a escova nem com o fio dental. O sangramento é um sinal de inflamação. Quando é cuidado cedo, costuma ser controlado com limpeza profissional e ajustes na higiene de casa.

Por que a gengiva sangra

A causa mais comum é a gengivite: uma inflamação provocada pelo acúmulo de placa bacteriana, a camada fina e pegajosa de bactérias que se forma sobre os dentes. Quando a placa fica muito tempo junto da gengiva, ela fica vermelha, inchada e sangra com facilidade.

Outras situações também podem contribuir:

  • Tártaro, que é a placa endurecida. Ele não sai com a escova e mantém a inflamação.
  • Escovação com força demais ou escova de cerdas duras.
  • Voltar a usar fio dental depois de muito tempo. Nos primeiros dias, um pouco de sangue é comum e tende a diminuir com a limpeza regular. Se não diminuir, vale avaliar.
  • Mudanças hormonais, como na gestação, que deixam a gengiva mais sensível.
  • Alguns medicamentos, como os que afinam o sangue, e algumas condições de saúde, como o diabetes sem controle.
  • Restaurações ou próteses mal adaptadas, que facilitam o acúmulo de placa.

Um alerta para quem fuma: o cigarro diminui o sangramento da gengiva e pode esconder a inflamação. A doença pode avançar sem dar esse sinal.

Gengivite e periodontite: qual a diferença

A gengivite atinge só a gengiva. Com limpeza profissional e higiene em dia, costuma regredir.

Quando a inflamação continua por muito tempo, ela pode avançar para a periodontite. Nessa fase, o problema chega ao osso e aos tecidos que seguram o dente. Alguns sinais:

  • gengiva que se afasta do dente, deixando-o com aparência mais longa;
  • mau hálito que não passa com a escovação;
  • sensação de dente mole ou mudança no encaixe da mordida;
  • pus entre o dente e a gengiva.

A periodontite tem tratamento e pode ser controlada. Mas o osso que foi perdido não volta sozinho. Por isso, cuidar no começo faz diferença.

O que fazer em casa

Alguns cuidados ajudam enquanto você aguarda a avaliação:

  • Não deixe de escovar a região que sangra. O sangramento vem da inflamação causada pela placa. Deixar de limpar costuma piorar o quadro.
  • Use escova de cerdas macias, com movimentos suaves e a escova levemente inclinada em direção à gengiva.
  • Passe fio dental ou escova interdental todos os dias, com delicadeza.
  • Escove pelo menos duas vezes ao dia, com atenção à linha onde o dente encontra a gengiva.
  • Reduza o açúcar entre as refeições e evite o cigarro.

Evite usar enxaguantes, receitas caseiras ou remédios por conta própria para "segurar" o sangramento. Eles podem disfarçar o sinal sem tratar a causa.

Sinais de alerta

Procure atendimento com mais rapidez se notar:

  • sangramento que não para depois de alguns minutos de pressão com uma gaze limpa;
  • sangramento espontâneo, sem escovar nem mastigar;
  • gengiva muito inchada, com dor forte ou pus;
  • dente que ficou mole de repente;
  • sangramento na gengiva junto com manchas roxas pelo corpo, sangramentos frequentes no nariz, cansaço fora do comum ou febre.

Nesse último caso, procure também um médico. A causa pode não estar na boca, e o atendimento conjunto ajuda a chegar ao diagnóstico.

Como é a avaliação

Na consulta, o dentista examina a gengiva e mede, com um instrumento fino, a profundidade do espaço entre o dente e a gengiva. Radiografias ajudam a ver o nível do osso. Com isso, é possível diferenciar gengivite de periodontite e montar um plano para o seu caso.

O tratamento costuma começar com a remoção da placa e do tártaro, acima e abaixo da linha da gengiva, e com orientações de higiene. Depois, vêm as revisões periódicas, com intervalo definido conforme a resposta de cada pessoa.

Se você usa algum medicamento contínuo, tem diabetes ou está grávida, conte na consulta. Essas informações mudam os cuidados e o acompanhamento.

Quando conversar com o dentista

Se a gengiva sangra com frequência ao escovar ou ao passar o fio, vale marcar uma avaliação, mesmo que não doa. A gengiva inflamada muitas vezes não incomoda. Gestantes, pessoas com diabetes e quem fuma podem precisar de um acompanhamento mais próximo. Quanto antes a causa for entendida, mais simples tende a ser o cuidado.

Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação individual com um cirurgião-dentista.

Quer conversar sobre o seu caso?

Cada boca é diferente. Na avaliação, o dentista explica o que vale para você.