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Primeira consulta da criança: quando e como
Quando levar a criança ao dentista pela primeira vez, como é a consulta e o que os pais podem fazer em casa para a visita ser tranquila.
Especialista em Odontopediatria, CRO-MG 00004
Muitos pais esperam a criança ter todos os dentes, ou sentir alguma dor, para marcar a primeira ida ao dentista. A orientação atual é outra: começar bem antes. A primeira consulta não serve para tratar um problema. Serve para conhecer a boca da criança, orientar a família e construir uma relação de confiança com o consultório.
Quando marcar a primeira consulta
A recomendação das entidades de odontopediatria é que a primeira consulta aconteça quando nasce o primeiro dente, ou até o primeiro aniversário. Na maioria dos bebês, os primeiros dentes aparecem entre os 6 e os 12 meses, mas essa idade varia bastante.
Se a criança já passou dessa fase e ainda não foi ao dentista, tudo bem. Vale marcar agora, sem esperar aparecer algum incômodo.
Alguns sinais pedem uma consulta antes do previsto:
- manchas brancas, amareladas ou escuras nos dentes;
- dente que quebrou ou mudou de cor depois de uma queda;
- gengiva inchada, muito vermelha ou com feridas;
- dificuldade para mamar ou comer por desconforto na boca;
- dentes que ainda não nasceram bem depois do tempo esperado.
Como é a consulta
A primeira consulta costuma ter mais conversa do que procedimento. Em geral, ela inclui:
- Conversa com os pais: gestação, amamentação, uso de mamadeira e chupeta, alimentação, sono e rotina de higiene.
- Exame da boca: dentes, gengiva, língua, freio da língua e mordida. Em bebês, o exame costuma ser feito no colo: o responsável e o dentista sentam frente a frente, e o bebê fica deitado com a cabeça apoiada no colo do dentista.
- Avaliação do risco de cárie: a partir dos hábitos da família e do que aparece no exame.
- Orientações práticas: como escovar, quanto creme dental usar e o que fazer com a mamadeira da noite.
Com crianças maiores, a consulta pode incluir um tempo para conhecer a sala, a cadeira, a luz e os instrumentos. Ver, tocar e entender o que cada coisa faz ajuda a criança a se sentir segura.
Se houver algo a tratar, o dentista explica para a família o que encontrou e, quando possível, combina o procedimento para outra visita, com a criança já mais familiarizada.
Como preparar a criança
O jeito de falar sobre o dentista em casa faz diferença. Algumas dicas:
- Fale da consulta de forma simples e tranquila, sem excesso de detalhes.
- Evite usar o dentista como ameaça, do tipo "se não escovar, o dentista vai brigar".
- Evite promessas que talvez não se cumpram. Prefira dizer que o dentista vai conversar, contar e olhar os dentes.
- Livros e brincadeiras de faz de conta com escova ajudam a criança a se familiarizar com a ideia.
- Escolha um horário em que a criança costuma estar descansada e alimentada.
- Leve um objeto de conforto, como um brinquedo ou um paninho.
Os adultos também contam. Se você tem medo de dentista, tente não demonstrar isso na frente da criança. Ela percebe a tensão de quem está por perto.
Cuidados em casa desde o primeiro dente
A consulta orienta, mas a prevenção acontece no dia a dia. Os pontos principais:
- Escovação desde o primeiro dente, duas vezes ao dia, com escova macia de tamanho infantil. A escovação da noite merece atenção especial.
- Creme dental com flúor na quantidade certa: até os 3 anos, o equivalente a um grão de arroz cru; a partir dos 3 anos, o equivalente a um grão de ervilha. Confirme a quantidade com o dentista.
- Um adulto escova ou termina a escovação até a criança ter coordenação para fazer sozinha. Isso acontece, em média, por volta dos 7 ou 8 anos, e depende do desenvolvimento de cada criança.
- Fio dental quando os dentes começam a encostar uns nos outros.
- Açúcar com moderação, de preferência junto das refeições. Sucos, biscoitos e balas espalhados ao longo do dia aumentam o risco de cárie.
- Evitar dormir com mamadeira de leite com açúcar, achocolatado ou suco. Se houver dúvida sobre as mamadas da noite, converse com o dentista e com o pediatra.
Com que frequência voltar
Depois da primeira consulta, o dentista indica o intervalo das revisões. Em geral, fica em torno de seis meses, mas pode ser menor para crianças com mais risco de cárie. Isso depende dos hábitos, do exame e da história da família.
Nas revisões, além de olhar os dentes, o dentista acompanha a troca dos dentes de leite pelos permanentes e o desenvolvimento da mordida. Os dentes de leite importam: eles guardam espaço para os permanentes e ajudam na mastigação e na fala. Cárie em dente de leite também precisa de cuidado.
Quando conversar com o dentista
Se seu filho já tem dentes e ainda não passou por uma consulta, vale marcar uma avaliação. Procure também o dentista se notar manchas, dor ou inchaço, ou depois de uma pancada na boca, mesmo que o dente pareça bem. A primeira visita pode ser um começo tranquilo, para a criança e para a família.
Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação individual com um cirurgião-dentista.